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2ª série do Ensino Médio arrasa nos minicontos

Da atual questão russo-ucraniana sobre a Crimeia até a Ditadura Militar brasileira, ou de histórias de amor até as mais trágicas e tristes, os nossos alunos se destacaram na qualidade das produções!

Foi solicitado aos estudantes da 2ª série do Ensino Médio que criassem minicontos na Avaliação Geral – 14 de março. Mais que simplesmente transpor as características do gênero estudadas, a concisão e a inventividade precisaram ser muito bem equilibradas e postas no papel. E após um mês e meio de aulas teóricas sobre o gênero conto, leituras e produções de contos variadas, os alunos transbordaram criatividade em contos cuja única condição era ter entre 50 e 70 palavras.

Concisão e inventividade nos minicontos da AVG

O tema era livre e ainda havia exemplos de nanocontos em um preâmbulo que reforçava a necessidade de sugerir muito mais que descrever. A título de exemplo, havia um dos mais famosos microcontos de apenas 44 caracteres do escritor guatemalteco Augusto Monterroso: “Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.”

A produção literária é influenciada pelas novas tecnologias

Vale lembrar que essa modalidade de composição textual está cada vez mais disseminada na nossa sociedade, sobretudo ligada às novas tecnologias. Tanto é que até Academia Brasileira de Letras promoveu nos últimos anos um concurso de minicontos em uma rede social cujos textos não ultrapassam 140 caracteres.

Paulo Roberto Laubé, professor de Produção de texto

 

Veja agora alguns dos melhores microcontos produzidos pela turma da 2ª série:

Dias de chuva
Chovia e o dia de trabalho fora horrível. Enquanto voltava para casa, ele calculava quanto tempo perdera calculando.
Ia atravessar a rua, mas sua mente estava ocupada pensando que a vida era feita de momentos e se ele não tivesse vivido bons momentos, de que valeria sua vida?
Então, naquele momento, largou a guarda-chuva e começou a dançar aproveitando o último bom momento de sua vida.

Mariana da Costa (2ª B)

Antes tarde do que nunca
Já moravam juntos há dois anos. A confiança era cega de um no outro, mas de uns três meses pra cá, ele voltava todo misterioso.
Preocupada como nunca, pensando na ideia de ser uma amante, resolve perguntar o porquê de ele demorar tanto. Todo desajeitado ele responde que está investindo na felicidade dele, e tira algo de dentro do bolso… Ela emocionada apenas diz sem medo “Aceito!”

Manuela Barbosa (2ª B)

Proibido entrada
A Crimeia é território ucraniano. Não consigo parar de pensar na injustiça que está acontecendo e que, com certeza, acontecerá em um futuro não muito distante.
A Ucrânia aceitou que milhares de cidadãos russo se estabelecessem , mas será a recíproca verdadeira? Como cidadã ucraniana, penso que não. Preciso fazer algo. Soube que acontecerá uma votação, se correr consigo chegar a tempo.
Cheguei. Sou mal recebida. Só russos podem entrar.

Mariana Morello (2ª B)

Pátria armada
Há 50 anos, eles ditaram as leis, que foram cumpridas e respeitadas por um povo heroico às margens da tortura. Eles monopolizaram e censuraram a mídia, que cegou seus súditos sem nenhum problema. Eles torturaram e mataram os filhos deste solo e estupraram sua mãe gentil.
Depois de tudo, eles nos informaram pela televisão que a ditadura havia acabado. E nós acreditamos.

Flora Tubiana (2ª B)

Sinal Vermelho
Olhou para um lado, olhou para o outro. Saiu da agência bancária com o coração apertado junto ao pacote que lhe traria de volta a vida de um filho sequestrado. Por um segundo de distração foi atropelado. Acabou ficando sem sua vida e sem a vida de seu filho, que agora ficava perdido nas mãos de bandidos.

Juliana Naomi (2ª B)

Reflexo
Areia na praia, estrelas no céu. Peixes na água, aves no céu. Carros na pista, aviões no céu. Fumaça das fábricas, nuvens do céu. A Lua ilumina no céu e sua luz reflete em água. Carne e espírito após a morte em mundo diferente. Terra e céu, tão parecidos e tão distantes. Vale a pena morrer?

Tony (2ª A)

A nômade importante
Ufa! Só dali a uma hora ela teria que se mudar novamente. Como estava cansada de ter que ficar se mudando! Tinha mais sorte que uma amiga que se mudava mais que ela.
Mas sabia de sua importância. Tantas pessoas dependiam dela! Sentia-se culpada pelo atraso delas no verão. E tinha raiva de quando não sabiam usufrui-la.
E uma hora já havia se passado, era meio-dia, havia mudado.

Beatriz Liane (2ª B)

A última viagem
O velho marujo realizaria uma viagem. Ele não queria ir de avião, tinha medo de voar. Tinha medo de acidente, tinha medo de morrer. Preferiria viajar de navio porque sempre gostou mais do mar.
Embarcou no avião. O avião caiu
Perdeu a sua vida, mas pelo menos realizou seu último desejo, fez sua última viagem pelo mar, onde ficaria preso para sempre.
De qualquer forma, sempre fora preso ao mar.

Ana Clara de Araújo (2ª A)

A primeira vez
Estudávamos na mesma sala. Me apaixonei por ele. Fomos para uma festa e ficamos. Começamos a namorar. Três meses depois, eu fui à sua casa, então aconteceu. Foi minha primeira vez. Nove meses se passaram e veio o bebê. Ele sumiu no mundo, foi curtir a vida, enquanto eu fiquei e acabei com a minha.

Rafael Megale (2ª A)

Corno avisado
Extremamente feliz, casado e avisado por todos à sua volta. Dois lindos filhos, ela indo diariamente à casa de uma amiga após o trabalho.
Triste noite, solteiro numa mesa de bar com sua cerveja ao lado. Ele faria tudo por ela e ela nada por ele. Quem avisou amigo era.

Julia Faria (2ª A)

O trabalho do garçom
O garçom não sabia trabalhar. Mas gostava de junto com seus colegas, na Sé, traficar. Todo dia na mesma hora no mesmo lugar. Muitas folhas e muitas pedras tinha que comprar, dentro do expediente e fora do bar. Mesmo sem saber trabalhar, quando a polícia chegou: deu de bandeja!

Henrique Losano (2ª A)

Lembranças
Todo mês Maria tinha que ir ao hospital às 9 horas da manhã. Tratamento de uma doença gravíssima, o câncer. Era acordada pela sua mãe quem a acompanhava em todas as sessões. No décimo mês, Karina, a médica por quem tinha um enorme carinho e afeto, nunca mais a viu, apenas em suas lembranças.

Aline Megale (2ª A)

 

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